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Cantada, café e tigela: sobre estar sozinha numa sexta à noite

caféSexta-feira, frio, chuva leve, fim de expediente. Eu saio do trabalho sem nem acreditar no tanto que chove e no tanto que meu pequeno guarda-chuva não me cobre o suficiente. Aquela chuva fina, leve… que não é garoa, mas com um pouco de vento já é o suficiente para te molhar bastante e deixar o pé ensopado. Conseguia sentir as gotinhas geladas tocarem minhas mãos. E minha cabeça só pensava em tigela. Isso mesmo, tigela. Eu também pensava em como não queria pegar um trânsito chato, de sexta chuvosa, mas minha preocupação maior era a tigela. Sabe aquelas tigelas de porcelana, coloridinhas, bonitinhas? Essa mesmo. Era isso que eu queria pensar. Nada muito arrojado ou caro. Simplesmente queria uma tigela para comer meu cuscuz com manteiga. Na verdade ela pode até servir para comer cereais com leite, mas como eu não gosto de cereal… Essas tigelas são úteis. Elas servem para outras coisas: colocar ovinho de codorna no palitinho, amendoim, azeitona recheada, embora eu não goste de azeitona e nem possa comer amendoim, enfim, muita coisa pode-se servir nela. Para mim não importa tanto que ela serve porque eu só quero comer meu cuscuz nela. Era só o que eu pensava enquanto caminhava naquela rua molhada, fugindo das poças d’água.

Querendo me aquecer e esperando o tempo passar, para não pegar o tal engarrafamento, cheguei a uma livraria que também é uma cafeteria. Primeira coisa que fiz foi checar a área de revistas de costura, para saber as novidades. Enquanto eu lia a primeira página da revista percebi um homem se aproximar de mim, esbarrando na minha mochila. Logo olhei para ver o que era. Ele passou para o meu lado esquerdo e ficou a vendo revistas também. Como ele esbarrou de novo na minha mochila achei uma movimentação um tanto estranha e logo saí dali. Fui até à seção de livros internacionais e ele logo veio atrás de mim. Como percebi a sua presença, fui disfarçando e rapidamente me retirei. Cheguei até à seção de “pocket livros” e fiquei mais aliviada. De repente, como num passe de mágica ele aparece do outro lado e me surpreende com um: – Oi! Você é amiga da Ana Luiza?  Minha cara de susto era tão grande que até demorei a responder, pensando ser uma pegadinha de algum programa de TV. E eu respondi objetivamente: NÃO. Ele ficou tão decepcionado e insistiu: – tem certeza? Aí eu já não consegui segurar o riso e respondi: certeza absoluta. E ele continuou: –Nossa, mas parece muito.Você parece muito com uma amiga de uma amiga minha. E eu fiquei sem reação, porque não era a amiga da Ana Luiza e nessa altura já estava fazendo memória de quantas “Anas Luizas” eu conheço e qual grau de intimidade a gente tem. Ele ficou sem graça e saiu. Eu respirei aliviada. Daí continuei lendo a sinopse do livro que me chamou atenção, quando dois minutos depois… ele volta: – Mas mesmo assim eu tô com a impressão que te conheço de algum lugar. A essa altura eu já estava ficando chateada com a abordagem e a insistência sem fundamento. Me mantive calada, expressando apenas um sorriso amarelo. Aí ele sai como uma tirada de mestre, achando que tinha um grande trunfo nas mãos para dizer a uma mulher em plena sexta, à noite: – Já sei, pera…Você sai muito à noite? Tipo balada…? E por essa ele não esperava, mas minha resposta foi mais uma vez um objetivo NÃO. Então frustrado me respondeu: – Então fica difícil. E foi embora sem dizer mais nada. E eu, sem entender nada, continuei olhando os livros por um bom tempo.

Fui para parte de trás da livraria, na cafeteria, pedi um bolo de milho e um expresso. Eita, que sexta maravilhosa! Ali, sentada com meu café, só pensava o quanto era bom poder ter aquele momentinho do dia só para mim. Poder ficar só, com meus pensamentos, esvaziar a mente das preocupações do dia, fazer nada. Me coloquei a pensar no quanto isso faz falta para nossa vida agitada e que muitas vezes estamos preocupados em encontrar companhia, estar junto, mas esquecemos de estar só. Não que seja errado querer companhia, dividir as situações (alegrias e tristezas), conversar.  É que inúmeras vezes nós, mulheres solteiras, não aceitamos a condição que nos oferece solidão. E por muito tempo também não gostei de estar só, em plena sexta, ou sábado ou a semana toda… O que eu quero dizer é que hoje eu sei o valor de estar só. Acho que as coisas estão mudando dentro de mim. Um novo tempo começou. Bento XVI tem uma frase que faz muito sentido para mim hoje: “O homem só se torna maduro quando enfrenta sua própria solidão”. Chega uma hora que não temos escolha e precisamos enxergar a realidade sem fuga. É bem nesta hora que a mudança de mentalidade acontece. Você pensa: só tenho isso aqui. O que vou fazer com isso? “Morro” de desgosto ou sigo vivendo minha vida? É o momento do enfrentamento que nos leva à sabedoria para sublimar a dor e os desgostos. Enfrentar a solidão é também perceber que temos um sentido em nossa vida, que é bem maior que nossa carência, nossa dor, nossa angústia, tristeza… maior que tudo. Maior que o ‘medo de estar só’, da Samaritana, era o amor de Jesus. Esse amor Maior é que nos ensina a liberdade da solidão. Ele nos ensina a ordenar tudo, colocar tudo em seu devido lugar, inclusive a solidão. E é ao relacionar-me com Esse Amor que me sinto cada dia mais amada, acompanhada, cuidada. As minhas sextas, meus sábados, domingos e a semana inteira não foram mais as mesmas depois que fui encontrada por esse Amor.

Terminei meu café com a alegria de perceber o quanto Deus tem feito em mim. Saí da livraria sem nenhum livro, apenas com a certeza e a serenidade de quem é amada ao extremo por um Amor autêntico e eterno. Amor que não chega apenas numa sexta, à noite. Amor que me surpreende diariamente e permanece fiel desde toda a eternidade. E enquanto eu andava pela calçada da livraria, ria, lembrando a tentativa corajosa do tal homem insistente e pensava que, embora isso se parecesse com cena de filme de comédia romântica, foi estranho demais. Ele saiu tão frustrado da minha presença que senti um fio de dó de sua determinação. Embora não conhecendo a amiga dele, Ana Luiza, sem sair para as baladas como ele, a gente tinha uma coisa em comum: a determinação. Mesmo depois de uma hora vendo livros, tomando café e comendo bolo, ainda andei naquela chuvinha fina para comprar minha tigela.

Por Milene Guimarães

Qual é o poder da beleza?

A beleza salvará o mundo

(Fiódor Dostoiévski)

Será que a afirmação de Fiódor Dostoiévski é correta? Logo a beleza? Se você me dissesse que é a caridade eu concordaria com você. Mas a beleza não é algo dispensável?

Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia”. (Gêneses 1, 31.)

A Palavra de Deus vem nos ensinar que toda a criação, a obra divina, foi um grande presente para o homem. Deus fez tudo de forma perfeita, tanto que a própria narrativa afirma que o Criador interpreta toda a criação como MUITO BOA. Partindo dessa afirmação também podemos contemplar a beleza que existe no mundo.

Com santo Agostinho também entendemos que a partir da contemplação da perfeição desta criação pode-se chegar à compreensão que existe O Perfeito que cria. Então se existe o Perfeito (Deus), que nos cria com toda riqueza, assim podemos chegar a entender a beleza aqui como reflexo de uma BELEZA maior que não vimos ainda, mas que existe.

Existe, paralelo à essa linda realidade, uma “onda social geral” que tem tentado nos convencer de que não existe mais beleza, que só existe desastre, feiura. O filósofo Roger Scruton, no documentário “Por que a beleza importa?”, vem dizer: “Não somente a arte fez um culto à feiúra, como a arquitetura se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso entorno físico que se tornou feio: nossa linguagem, música e maneiras, estão ficando cada vez mais rudes, auto centradas e ofensivas, como se a beleza e o bom gosto não tivessem lugar em nossas vidas. Uma palavra é escrita em letras garrafais em todas estas coisas feias, e a palavra é: EGOÍSMO. ‘Meus lucros’, ‘meus desejos’, ‘meus prazeres’. E a arte não tem o que dizer em resposta, apenas: ‘sim, faça isso’! Penso que estamos perdendo a beleza e existe o perigo de que, com isso, percamos o sentido da vida”.

Bolinhas

A gente gosta muito de roupa de bolinha! E você? 

A famosa estampa “polka dot”, também chamada  petit-pois (ou simplesmente  Poá), mais conhecida como “bolinhas” se tornou conhecida no final do século XIX, no Reino Unido. Segundo algumas pesquisas a estampa ficou popular com a chegada de imigrantes do leste europeu na América, também no sec. XIX (o pós-guerra foi uma época de descontração, prosperidade e alegria). Eles trouxeram a Polka, uma dança de origem polonesa  e os movimentos circulares dessa dança animada inspirou a criação da estampa.

Uma outra curiosidade é que muitos atribuem a fama da estampa ao produtor cinematográfico Walt Disney, que queria algo bem diferente para a roupa da sua personagem Minnie Mouse (criada em 1928). O que era moda na época eram as listras e xadrez e a famosa ratinha da Disney veio lançando tendência com as bolinhas.

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